A Babá | Crítica

18/12/2017 às 11:00hs

Estou escrevendo isso num domingo, vazio e sem muitas coisas atrativas na TV. Apelei para a Netflix e encontrei entre os destaques da grade A Babá, comédia de terror dirigida por McG, que é responsável por filmes como As Panteras Guerra é Guerra. Falando desse jeito, é difícil imaginar de onde sairia a boa ideia que me faria escrever uma crítica a respeito do filme, mesmo após tanto tempo do seu lançamento.

A história mostra Cole (Judah Lewis), um garoto nerd de 12 anos que sofre bullying e sustenta uma paixão por Bee (Samara Weaving), sua babá. Uma noite, o garoto sai de sua cama em um horário não permitido e acaba presenciando a morte de um garoto pelas mãos de Bee e um grupo de amigos, que fazem parte de um culto satânico. A parti daí, o garoto tenta sobreviver aos ataques do grupo.

Apesar de diferente, a trama a partir daí é bastante simples, com Cole funcionando basicamente como Kevin McCallister em Esqueceram de Mim. Armadilhas com carrinhos e esconderijos secretos da casa estão aqui. Mas o final de cada uma dessas ciladas é infinitamente mais sangrento do que nos filmes de Macaulay Culkin.

A insegurança do menino é mostrada em quase todas as cenas do filme, inclusive com muito humor. Com um pouco de besteirol, o garoto parece ser um dos únicos sensatos em um mundo de gente alienada. Por isso, mesmo com toda a sanguinolência, explosão e comédia, é seguro dizer que é um filme sobre adolescência, mudanças e conflitos, mesmo que sem toda a pompa de um drama millenial.

Mas se o filme é divertido pelo contraste entre sangue e piadas, também diverte por suas referências. Warriors, Poderoso Chefão e Sexta-Feira 13 são só alguns dos filmes referenciados nos diálogos, de forma natural, inclusive.

A edição do filme também é boa, e me chamou a atenção uma das cenas iniciais, onde durante um diálogo duas pessoas aparecem com suas falas e movimentos em velocidade normal, enquanto todo o resto está em câmera lenta.É quase como se a dupla fosse real e todo o resto fútil, artificial.

Futilidade aliás que é tema de algumas das piadas do filme, sobre fama, beleza e até redes sociais. Do seu jeito meio esquisito, o filme faz críticas ácidas e irônicas sobre o estilo de vida americano e a necessidade de ser visto.

Domingo à noite, uma busca no Netflix, e uma surpresa agradável e simples. Aprendam, diretores de terror e comédia: as vezes, simplicidade é só o que é preciso.

Conteúdo Relacionado